NEURODIVERGÊNCIA NO ENSINO SUPERIOR: UMA RUPTURA NA MARGINALIZAÇÃO INSTITUCIONAL
Resumo
A neurodivergência refere-se às variações do funcionamento cerebral, que ocorrem por diversos fatores etiológicos. Essas diferenças impactam significativamente o processamento cognitivo, a comunicação e a interação social dos indivíduos. Além das formas amplamente conhecidas como TEA, TDAH e dislexia, há outras condições menos discutidas na literatura como discalculia, disgrafia, dispraxia, hiperlexia e sinestesia. No contexto universitário, existem estudantes neurodivergentes que enfrentam desafios específicos, como dificuldades de concentração, sensibilidade sensorial e barreiras sociais, que comprometem não apenas o desempenho acadêmico, mas também a integração plena nesse ambiente. Apesar das políticas inclusivas vigentes, muitos obstáculos permanecem; evidenciando a necessidade de inovação nas práticas educacionais. Assim, objetivando analisar os principais obstáculos enfrentados por esses estudantes e explorar abordagens que promovam uma inclusão efetiva, realizou-se uma revisão bibliográfica de artigos científicos e normas legais; além da análise das práticas pedagógicas e políticas públicas de suporte já implementadas para esse público. Embora haja documentação acerca das dificuldades mais comuns, destaca-se a importância de se compreender a heterogeneidade dos perfis neurodivergentes; visto que estratégias universais se revelam insuficientes e a efetividade das intervenções está diretamente relacionada à sua personalização, apoiada por avaliações neuropsicológicas detalhadas. Diante disso, há urgência em repensar o modelo educacional, incorporando metodologias flexíveis, como o ensino híbrido e avaliações diversificadas que considerem os diferentes tipos cognitivos presentes. Ademais, a insuficiente preparação dos docentes para reconhecer e responder às especificidades neurodivergentes perpetua exclusões sutis, impactando negativamente a autoestima e a permanência desses estudantes no campo universitário. Dessa forma, o suporte psicossocial e a construção de redes colaborativas nas universidades tornam-se essenciais para fortalecer a resiliência e o engajamento acadêmico. A valorização da neurodiversidade enquanto potencialidade e diferencial cognitivo pode contribuir para a criação de ambientes acadêmicos inovadores e inclusivos, capazes de reconhecer múltiplas formas de aprendizado e expressão. Nesse sentido, importantes universidades brasileiras, como UnB, UFSC, UECE, UFG e UERJ, já demonstram que a inclusão efetiva é viável e eficaz. Contudo, essa transformação exige articulação entre políticas institucionais, formação continuada de professores e participação ativa dos estudantes, criando um ecossistema educacional que ultrapasse adaptações pontuais e promova a verdadeira equidade no ensino superior brasileiro.