OS IMPACTOS DA SOBRECARGA NO CUIDADOR FAMILIAR
Resumo
Introdução: O envelhecimento populacional, impulsionado pela transição demográfica e epidemiológica, tem ampliado a incidência de doenças crônicas e degenerativas, como as demências, que comprometem progressivamente a autonomia do idoso e demandam cuidados contínuos, geralmente assumidos por familiares. Essa função, predominantemente exercida por mulheres, expõe o cuidador a sobrecargas físicas, emocionais e financeiras, repercutindo negativamente em sua saúde e qualidade de vida. Objetivo: O presente estudo teve como objetivo analisar as evidências sobre os impactos da sobrecarga no cuidador familiar de idosos com demência. Metodologia: Foi conduzida uma revisão integrativa da literatura em cinco etapas: definição do tema, estabelecimento de critérios de inclusão e exclusão, seleção e categorização dos estudos, avaliação crítica e síntese dos resultados. As buscas foram realizadas nas bases PsycINFO e nos portais SciELO e Google Acadêmico, considerando publicações em português, no período de 2019 a 2024, resultando em 11 estudos primários incluídos. Resultados: A análise evidenciou que os cuidadores enfrentam sentimentos ambivalentes, sofrimento emocional, isolamento social, abandono de atividades pessoais e profissionais, cansaço extremo, depressão e dificuldades financeiras. A predominância feminina reflete construções socioculturais que reforçam desigualdades de gênero, enquanto a falta de preparo técnico e o suporte institucional limitado agravam o quadro. Estratégias de enfrentamento, como religiosidade, apoio informal e adaptações na rotina, foram identificadas, porém insuficientes diante das demandas. Os resultados também apontaram que a ausência de políticas públicas abrangentes e de programas de capacitação e apoio psicológico contínuo fragiliza ainda mais o contexto do cuidado familiar. Conclusão: Conclui-se que a sobrecarga do cuidador familiar de idosos com demência é um problema complexo e multifatorial, exigindo respostas intersetoriais e políticas efetivas que valorizem, incluam e apoiem esses indivíduos, assegurando sua saúde, preparo e dignidade, de modo a garantir também a qualidade do cuidado prestado ao idoso.