O PACTO NARCÍSICO DE CIDA BENTO E O NARCISISMO EM FREUD: ARTICULAÇÕES ENTRE SUJEITO E ESTRUTURA SOCIAL
Resumo
Este artigo foi organizado para obtenção de nota na disciplina “Diversidade Étnico Racial”, ministrada pela docente Ana Paula Horta; e apresenta uma análise do conceito de pacto narcísico proposto por Cida Bento, relacionando-o com a teoria do narcisismo desenvolvida por Freud. O objetivo é compreender como o pacto narcísico da branquitude configura um mecanismo de manutenção das estruturas sociais raciais, enquanto o narcisismo freudiano oferece uma base teórica para entender a dinâmica psíquica do eu em relação ao outro e a si mesmo. Compreender o pacto narcísico e seu vínculo com a teoria freudiana do narcisismo é relevante para a psicologia social e clínica, pois contribui para a análise crítica das relações raciais e das formas pelas quais as identidades são construídas e defendidas. Este estudo se justifica pela necessidade de ampliar o diálogo entre psicologia e estudos raciais, promovendo reflexões que possam impactar a prática acadêmica, profissional e social, especialmente em um momento em que a desconstrução de privilégios e o combate ao racismo estrutural são demandas urgentes. A metodologia adotada foi a revisão de literatura, utilizando fontes primárias e secundárias selecionadas, como as obras de Bento, Freud e autores contemporâneos que discutem relações raciais e afetividade. Os resultados parciais indicam que o pacto narcísico atua como uma defesa coletiva da branquitude, sustentando privilégios por meio de um investimento afetivo na identidade branca, o que encontra eco nas formulações freudianas do narcisismo primário e secundário. Conclui-se que a articulação entre as perspectivas de Bento e Freud amplia a compreensão do funcionamento psicossocial do racismo estrutural, fornecendo subsídios para práticas psicológicas e sociais que visem a desconstrução de tais pactos.