RACISMO: UM DIÁLOGO ENTRE WINNICOTT E MUNANGA

Autores

  • Camila Fernandes Placidino
  • Djonatan Valério de Melo
  • Erika Divimar Silva
  • Guilherme Azevedo de Souza
  • Ana Paula Horta

Resumo

Este estudo, proposto ao decorrer da disciplina de Diversidade Étnico-Racial, analisa as obras de Donald Winnicott e Kabengele Munanga, e como elas dialogam entre si. Fundamenta-se na compreensão do conceito winnicottiano de ambiente suficientemente bom, (que compreende a rede de cuidados afetivos e simbólicos necessária ao amadurecimento emocional, constituição e integração de um verdadeiro self), e na crítica de Munanga ao racismo estrutural (que nega pertencimento e reconhecimento à população negra). O objetivo do trabalho, nesse enquadramento, é perceber o racismo como falha ambiental crônica: um contexto hostil que, desde a infância, expõe a negritude a exclusões e ausência de representações positivas de si. A partir do ponto de vista winnicottiano, pode-se afirmar que as experiências do racismo se apresentam como traumas cumulativos, corroendo a espontaneidade, fragilizando a identidade e levando, muitas vezes, à construção de um falso self como adaptação ao olhar opressor. A metodologia consistiu em revisão bibliográfica integral de obras de Winnicott e Munanga. Os resultados apontam que para combater o racismo estrutural se faz necessário, a priori, inserir um ambiente suficientemente acolhedor e integrador do self, por meio de intervenções clínicas, culturalmente sensíveis e políticas públicas antirracistas para criar um ambiente social que sustente a identidade e expressão da negritude. Conclui-se que a integração entre as teorias de Winnicott e Munanga, amplia a compreensão do racismo como fenômeno que atravessa corpo, mente e sociedade, e que o racismo além de ferir a dignidade e os direitos humanos, compromete a constituição psíquica, fragilizando processos de amadurecimento emocional e construção de um self integrado.

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Publicado

15-09-2025